segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Em resposta à querida "MARIA ASSALARIADA"

A Maria assalariada, do blog "Diário de uma jovem assalariada", questionou-me qual o meu método de gestão diária do dinheiro, se uso o método dos envelopes (em que se categorizam as despesas por tipo e se atribui um tecto máximo para a despesa), se só uso dinheiro, se pelo contrário só uso multibanco...

Bom, eu neste momento posso dizer que já usei de tudo, mas vou esclarecer o que melhor se adaptou a mim. É claro que não é regra para ninguém, mas a verdade é que se pode mesmo ajudar terceiros, então não custa descrever.

Vou falar apenas do que acho que pode ser uma mais valia para vocês:

Sei os meus gastos obrigatórios: Combustível; Operadora NOS; gás e alimentação.
Então reservava logo o valor deste gastos mal o ordenado entrasse em conta e era valor com o qual deixava logo de contar. 

No entanto, nem todos os meses tinha de comprar gás e nem todos os meses chegava ao tecto no valor destinado à alimentação, então se não gastava esse dinheiro reservado para estas despesas eu encaminhava essas "sobras" à poupança do mês seguinte. Mesmo não gastos não ficava à espera que o gás acabasse por exemplo, não, eu todos os meses contava com estas despesas, se não as houvesse eram poupança.

Vou dar um exemplo prático, para ser mais fácil entender:
Reservo 100€ para combustível todos os meses;
Se ao dia 30 tinha gasto 89€ em combustível, mas eu no inicio do mês tinha reservado 100€ então os 11€ que sobravam eram logo reservados para a poupança do mês seguinte. Reservava porque não é possível transferir só 11€ para a poupança, só valores acima de 50€, então via o que me sobrava, se sobrasse, e juntava à poupança prevista do mês seguinte.

Mas então espera aí, "se tu tens previsto x para a poupança do mês seguinte,e já tinhas esses 11€ de sobra, então poupavas x menos esses 11€?" podem perguntar vocês. NÃO, não, não, não, não eu somava esses 11€, se eu tenho em mente poupar x no mês seguinte, estes 11€ de sobra iam somar, passava a ser x+11€.

Este sistema é parecido com o dos envelopes, em que esses 11€ que sobrassem já transitavam para o mês seguinte na despesa combustível, no entanto eu preferia alocar essas sobras TODAS para a minha poupança, para chegar o mais depressa possível à minha meta.

Funciona muito bem comigo, porque sempre conseguia tirar qualquer coisita e isso ajudou muito no final das contas, alias já vos disse isso mesmo, estas "sobras" evitaram que eu tivesse de fazer poupança mais um mês.

(Estes valores não são levantados, ficam na conta à ordem, apenas os retiro do bolo mensal disponível, ou seja quando recebo o ordenado, este dinheiro já não existe na minha cabeça.)

Uso dinheiro vivo em mão:
Para as contas acima não, uso multibanco, para o resto, saídas, cinema, café 2x/semana depois de almoço, um lanche para casa, etc, eu uso dinheiro físico. "Aí é um risco", sim é, mas eu prefiro que me assaltem e me levem 20€ que me dêem porrada por não ter um chavo ou me arrastarem a uma caixa MB.
Este valor físico nunca é elevado, ajuda-me também a conseguir moeditas de 2€.

Em 3 meses deste último ano levantei 20€ e teve de chegar para estas saídas e cafés, e chegou! Quando não dava para esticar paciência, não saia ou fazia programas grátis. Viver em regra ensinou-me muita coisa felizmente. Fiz apenas 3 meses, podia ter feito mais, mas são experiências e valem sempre a pena.

Eu tenho um problema, e por vezes olho para mim e sei que é mesmo um problema por outras vezes entendo como uma característica das mais benéficas que tenho, eu penso muito no passado da minha família, no tempo dos meus avós e mesmo do inicio de vida dos meus pais, e vejo o quão difícil foi e isso só me estimula ainda mais a deixar de ser parva e de achar que tenho de comprar isto e aquilo e que serei mais feliz por isso. Não é fácil de explicar isto nos dias que se vivem, então prefiro calar. Eu dava tudo para colocar uma mesa farta ao meus avós, mas não me é permitido fazê-lo, então vivo com essa mágoa imensa para o resto da vida, para minimizar não deixo que falte nada em casa.
"Mas ainda à uns dias vieste falar de um relógio de 85€", sim falei e se for preciso falo novamente, no relógio ou numas calças de 100€. Uma coisa não veda a outra. Não sou hipócrita e enquanto sofro pelo que os meus antepassados sofreram vou-me moldando e percebendo onde tem de estar o meu foco e é por isso que o relógio mesmo por 60€ ainda não está no meu pulso, e é por isso também que todas as semanas compro pêssego em latinhas pequenas para a sobremesa do almoço do meu irmão (porque sei que ele adora) e para mim compro maça a 1/3 do valor. Não temos de ser todos iguais e não temos de nos vedar a ter o que gostamos, apenas partilho a regra que me impus e que me ajudou a chegar à minha meta pessoal financeira para 2019.

O que não é obrigatório numa primeira visão:
Telemóvel, IPO, IUC, manutenção automóvel, etc, são gastos que tenho e não são mensais, então vou programando os meus meses conforme estas despesas, o telemóvel anda a ser despesa de 3 em 3 meses, o IPO, IUC, manutenção e seguro auto são despesas anuais, tudo em meses diferentes, então vou controlando a minha poupança assim. Tenho um valor fixo a poupar mensal que aumenta ou diminui conforme estes gastos.

Outros:
- procurei um mecânico (da oficina onde ia) que me faz as manutenções em casa por muito menos dinheiro.
- reajustei o meu seguro auto em Dezembro do ano passado, pago anual e fica mais barato que se pagasse ao semestre ou trimestre.
- a minha veia consumista não desapareceu mas está TÃO mais controlada que me sinto mesmo feliz.
- tenho dentro da carteira (só tenho uma) um papel já meio amassado, gasto e rasurado, com o valor que tinha como meta no topo e quanto me faltava com valores, alguns já riscados e o novo valor em falta na linha de baixo. Isso permitia-me ver, sempre que a abria quanto me faltava e a reflectir se queira gastar numa compra inútil ou não.

Tudo são processos, sinceramente não é fácil, Maria Assalariada, a mim ajudou-me muito ter um x em carteira e tudo o resto em conta à ordem, porque todos os euritos e até cêntimos que iam sobrando eu alocava logo para a poupança. Também me ajudou muito ter na carteira, logo na parte principal onde tinha os cartões multibanco o papelito com a meta bem visível. Tal como procurar descontos no cinema e programas grátis. Tudo o resto se compõem e vai-se entranhando na forma como começamos a viver. 😊

Se eu tenho uma lista de desejos? sim
Se a irei concretizar? ainda não sei bem, até porque alguns desejos se vão transformando.
Mas todos somos assim, eternamente inconformados e com uma capacidade de adaptação e aprendizagem fora do comum, então, pelo menos que saibamos aproveitar isso 

3 comentários:

  1. Excelente post, muito completo mais uma vez.

    Eu gostava de tirar para uma poupança, mas por outro lado, gosto de ver a minha conta a aumentar. Eu sei que o posso deixar lá na conta e que não mexo. Já o meu marido não é nada assim.

    Beijocas

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    1. Obrigada Cláudia :)

      Sou como tu, podia tê-lo paradito na conta à ordem que não me aquecia nem arrefecia, não ia gastá-lo de qualquer forma. Quanto ao marido, isso é que já é pior xD ahahah! mas acho que não é preciso chegar a estremos, por ex, ter o habito de colocar 50 ou 75€ de lado todos os meses já é um principio, tentar conversar e analisar os prós disso, uma segurança extra, uma viagem daqui a x meses, usar algo que ele goste ou gostasse de fazer como estimulo pode ajudar :))

      beijinhos Cláudia, boa semana :)

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  2. Não ajuda, infelizmente. Mas ele há-de se arrepender.
    O banco é o active bank... É bom estar aberto, mas é péssimo o banco em si.

    Beijocas

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