segunda-feira, 7 de julho de 2025

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 Deus esqueceu-se das pessoas de bem

Foi este o último comentário que eu li numa publicação no facebook no sábado, a respeito da morte/funeral dos dois irmãos futebolistas que faleceram na semana passada.

Li muitos antes de chegar a este, quando li isto parei.

E fiquei ali a olhar, foi uma sra, o nome era feminino... percebi exatamente o que ela disse, e depois pensei "o que é que ela quis dizer?"... é exatamente isso, uma antítese.

Eu entendia, mas também não entendi nada.

Como é que uma mãe carrega dois filhos e os vê enterrar um a seguir ao outro?

Como é que um pai que ensina os filhos a amar futebol, os vê perder para isso?

Como é que aquela esposa vive o resto da vida, sem a pessoa que teve desde sempre?

Como é que três filhos vivem sem o cheiro, a presença, a palavra do pai?

Meu Deus.


Uma coisa é certa, eles seguiram juntos, dois irmãos, que nasceram e viveram nas mesmas paredes, no mesmo quintal, no mesmo sonho realizado.


Eu fiquei chocada com isto. Li várias opiniões, mas quando esta sra. escreveu aquilo e eu li... fiquei naquelas palavras.

Porra, Deus esqueceu-se das pessoas de bem? É isso que vemos todos os dias? Dois rapazes que segundo todos e todas falam eram um verdadeiro exemplo. Temos de ser maus para andar cá mais tempo?

Depois lembro-me muito daquela frase cliché: quando estás num jardim e queres uma flor qual colhes? a mais bonita ou a velha com as folhas a cair?

Depois lembro-me do proposito de ele ter casado, uma coisa que a mulher tanto sonhava... realizou-lhe o sonho, não a deixou sozinha (têm 3 filhos), mas que sentirá aquela mulher agora?

Fiquei o resto do dia a pensar naquilo.. até porque as noticias também pouco ou nada falavam de outras coisas, e de comparar tamanha tragédia, que acontece a muitos todos os dias e na comparação que a sra fez ao dizer que Deus se tinha esquecido dos de bem.

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À noite, quando vou deitar o meu filho fazemos sempre um coração para o tecto/"céu" do quarto, ele faz um triangulo claro (é esperto mas ainda não chega a tanto) e dizemos "até amanhã Jesus, gostamos muito de ti e obrigada por mais um dia", e fazemos coração também aos avôs. Depois digo-lhe que temos de dormir porque Jesus já vai embora dizer adeus a outras casas também e é hora de nós descansarmos, ele vira-se para o lado e diz "sim, jesus agora vai ao LULI"

Quem não sabe quem é o Luli, vá espreitar à pagina da mãe (Instagram) - viih_santosh_ofc

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Jesus segue todos, e protege todos por igual. É uma criança, e é o meu filho, e parece estupido, mas tranquilizou-me ele dizer aquilo. Eu mostrei-lhe o Luli num vídeo que me apareceu, contei-lhe por alto e na medida do que ele percebe quem ele era e o que tinha, isto dias e dias antes, e ele lembrou-se dele e de que também Jesus lá iria passar, na casa dele para lhe dizer adeus e boa noite.

21 comentários:

  1. É uma situação complicada e nem quero imaginar a dor de todos... E agora aprender a lidar com isso...

    Agora com um pequeno, realmente começo a ter outro olhar sobre o mundo...

    Mas não menosprezando tudo o que aconteceu, a dor, etc, o mediatismo de volta disto tudo, porque são dois jogadores de football... É verdade uma coisa que li, mais um polícia, entre tantos outros, que se matou, e ninguém falou disso. Nem um ai. Nem um "olha, foi mais um"... E isto é triste.

    Mas também depois destas chapadas, agarramos e dizemos sempre também, ah não, agora é que vou mudar... Mas depois nada muda, ou muda só uns dias...

    Coragem para as famílias, não é mesmo nada fácil.

    Beijocas

    Cláudia - eutambemtenhoumblog

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    1. A mim o que mais me chateia é o facto de só falarem praticamente de 1. Morreram dois filhos a uma mãe.... e a um pai.

      Esta comunicação social é um veneno perigoso, e agora até ao barulho meteram CR.

      É triste, muito para aquela família. E foi nesse papel que me pus.

      E sim, ninguém vai mudar nadinha.

      Beijinho Cláudia, uma boa semana

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  2. Concordo contigo, falta empatia a muita gente, eu quando soube a notícia coloquei-me no lugar daquela mãe, eu perdi 3 bebés por nascer e sofri imenso, nem consigo imaginar o que aquela mãe está a sentir, e depois vêm os jornalistas da treta que só faltou entrevistarem o padre e pôr microfones espalhados pelas igrejas e cemitério. Falavam mais no Diogo J por ele também representar a selecção, ter casado há pouco e ter 3 filhos mas concordo para aqueles pais morreram 2 filhos e sofreram de igual forma pelos dois, apesar de para o resto das pessoas um ser mais famoso que o outro. Os Jornalistas são os maiores culpados das rivalidades/guerras/intrigas que existem...ora se o CR7 veio no próprio dia ter com a família e esteve com eles, porque é que ele não ter ido ao funeral foi notícia? Tantos que não foram, e nem se lembraram de falar neles, mas o CR7 não ir ou o Benfica não mandar uma delegação ao funeral já foi notícia...enfim... Deviam era preocupar-se em manter a distância e a privacidade em vez de tentarem tirar a foto com mais lágrimas ou que parecesse simbolizar mais dor...tristes...

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    1. A anónima sou eu, não tinha iniciado a sessão.

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    2. É verdade Marisa, então no dia do acidente só falavam mesmo do Diogo, depois lá começaram a dizer "e o irmão". Eles tinham nome, antes de serem jogadores de futebol, conhecidos, que por acaso até eram os dois, eles eram filhos, familiares, amigos de pessoas. Humanos.
      Acho deprimente este tratamento. Sei que aqueles pais não ligaram sequer a tv e não viram estas palhaçadas, porque cabeça para isso não haverá, mas custa muito esta diferença.

      Eles ficaram os dois com um colo vazio. Não que se um vivesse fosse matar a saudade do outro, mas perderam ali os dois, num segundo, num contacto que receberam da noticia.
      É muito muito triste.

      Pior que houve família a saber pelas noticias... é revoltante.

      O CR teve os motivos dele, e eu até o entendo, se as pessoas foram para as cerimónias fúnebres pedir autógrafos (AUTOGRAFOS) ao presidente do porto se lá apanhassem o CR ia ser como? Bem fez ele, privou a família de ter de conviver com um circo ridículo feito pela população e pelos meios sociais (tv's/radios, etc presentes).

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  3. O afilhado da minha irmã faleceu com 6 anos. Afogado, sem ninguém o fazer esperar. Foi um choque e continua a ser apesar de fazer amanhã 10 anos desde esse dia. Aqueles pais nunca mais foram os mesmos, acabaram por se divorciar, tudo. Não tinham nem conseguiram ter mais filhos.
    Neste caso os pais tinham 2 filhos e perderam os 2 de uma só vez. Não imagino como seja ter 2 filhos e acordar passado umas horas e já não ter nenhum. E a mulher, coitada, tão feliz pelo casamento de sonho há menos de duas semanas e ver-se assim sozinha de um momento para o outro? Dedicou a vida ao marido, acompanhou-o sempre no seu percurso, provavelmente sacrificando os seus próprios sonhos e objectivos por amor, e agora vê-se desamparada, tão nova. E as três crianças, tão pequenas, que ainda não entendem a morte e certamente vão continuar a perguntar repetidamente pelo pai por muito muito tempo. É tudo mau demais.
    E não desmerecendo o André Silva, acho normal falar-se mais daquele que é conhecido, mas para a família a dor deve ser dilacerante. Não consigo nem quero sequer tentar imaginar. E a falta de respeito, as fotos do enterro e do sofrimento das pessoas. Isto deveria ser proibido por alguma lei. Há jornalistas que não têm vergonha nenhuma.

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    1. Olá Inês,
      é o pior dos pesadelos, para uns pais. Compreendo o desfecho desse casal com a morte do filho... é uma tristeza sem fim.
      "e acordar passado umas horas e já não ter nenhum" é isso, o choque que deve ter sido, que deve estar a ser, nem quero imaginar sequer.
      Mas acaba a dizer uma coisa com a qual concordo muito, devia haver mesmo uma lei que proibisse estes desfechos noticiosos.. aliás o RGPD protege os nosso dados pessoais, e a nossa imagem? há lá dado pessoal mais privado que a imagem?, concordo muito contigo, devia haver lei a proibir isto que vimos.

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    2. Quando faleceu este miúdo que te falei a CMTV apareceu logo. Tiraram foto aos pais, dentro do próprio carro, a falar com os psicólogos do INEM. O menino morreu afogado, era uma praia. No dia seguinte apareceram no local do enterro. Foram literalmente despachados por populares e familiares, porque nesse dia já tinha saído a foto de pais a acabar de saber que tinham perdido o único filho. Foi um abuso. A verdade é que eles acabaram por ir embora, se não acho que ia acabar a mal. E depois os populares é que ainda iam estar mal, mas enfim. E não era ninguém famoso. Só uma criança de 6 anos perfeitamente desconhecida.

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    3. Olá Inês, bom dia
      Que sensação horrível só de ler... quanto mais passar por isso, que a vida lhes dê aos dois algum descanso e paz nos anos que viverem, é com certeza um fardo muito difícil de carregar.

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    4. É difícil. Muito difícil. Faz hoje 10 anos e parece que foi ontem. Ele era 8 meses mais velho que o meu afilhado, primos direitos, quando eu vinha do norte ficava com o meu afilhado e com ele também. Era como se fosse meu sobrinho também, apesar de ser só sobrinho da minha irmã. Não conseguia ir à escola buscar um e não trazer o outro.
      Lembro-me como se fosse hoje de estar a cozinhar e a minha irmã me ligar num pranto a dizer que morreu o P. Pai e filho tinham o mesmo nome. E eu só perguntei: qual P.? Ela respondeu-me que tinha sido o P. pequenino como nos referiamos sempre a ele. Só me lembro de perder as forças e cair de joelhos no chão. O resto foi surreal. Fazer a viagem de 300km e acabar por ter de ficar mais dias (o marido regressou ao norte porque tinha compromissos de trabalho) mas eu fiquei porque a minha irmã tinha de regressar ao trabalho e a avó dos meninos que era quem ficava com eles os dois nas férias não conseguia sequer sair da cama. Fiquei eu uns tempos com o meu afilhado (mais uma vez as tais vantagens de trabalhar por conta própria) mas foram tempos muito complicados a ter de explicar a uma criança de 5 anos que o primo P. nunca mais ia voltar. Eles cresceram juntos, sempre todos os dias. Na escola e na avó. Foi muito difícil tudo. Mas aqueles pais, enfim. Aqueles pais nunca mais foram os mesmos.

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    5. Senti-me a arrepiar agora.
      É sempre trágico, não se lida mesmo com este tipo de perdas. Se eu já senti o que senti com o meu pai, imagino com um filho. Deus nos proteja a todos e nos dê a segurança da vida seguir o seu percurso normal e morrerem primeiro os pais, mas bem velhinhos.

      Não deve ser ainda hoje fácil, para esse menino, o primo. Quanto mais aos 5 anos, que eles estabelecem relações tão fortes e pessoais com as amizades.

      Lamento muito, tudo isso
      :(

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    6. Ele sentiu muita falta do primo, mesmo. Faziam tudo juntos, férias em casa da avó, escola, eram inseparáveis mesmo. E depois as pessoas cruéis. Havia quem lhe dissesse que o primo tinha ido para debaixo da terra e que os bichos o iam comer. Ele tinham 5 anos, porra. Quem diz isto a uma criança? Foi tudo complicado mas ele até lidou bem com a situação. Notávamos que ele não sabia se podia falar no primo no início. Às vezes ia para dizer por ex: " o P. gostava muito deste carro", e depois retraia-se. Mas nós sempre incentivamos e a falar sempre que lhe apetecesse. É sempre difícil daí eu pensar no caso do Diogo Jota os miúdos vão continuar a perguntar pelo pai, ainda não entendem o conceito da morte e de cada vez que perguntarem vai ser como que mais uma facada no coração daquela mãe e daqueles avós. É muito, muito triste mas há que ser forte pelas crianças.

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    7. sinto na pele também com a minha filha.. apesar das memorias serem tão vagas mas o Amor que ela sentia ainda vive nela...o carinho que ela fala dele.. quando vê as milhentas fotos juntas... quando faz algo que gostava de partilhar com alguém próximo quando estamos em família falta sempre alguém.. continua a ser tão amado e tão presente em cada um de nós...mas ao inicio senti-me tão cruel por dizer que ele não voltava... apenas ia viver em cada um de nós...

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    8. Inês,
      Que estupidez dizer isso a uma criança, as pessoas adultas muitas vezes são realmente estupidas e sem noção... comido pelo bichos, que falta de amor à criança para dizer tamanha estupidez!

      Anónimo,
      Compreendo perfeitamente, é isso... as histórias que deixam de poder ser vividas...

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    9. Anónimo, bem sei como é a situação e lamento que tenha de passar por isso. Não é fácil, daí colocar-me no lugar daquela mãe que tem filhos ainda demasiado pequenos para entender e vão continuar a perguntar pelo pai durante imenso tempo ainda...
      Teia, sim, infelizmente nunca soube quem lhe tinha dito uma barbaridade dessas porque honestamente teria ido falar com a pessoa. É que nessas alturas os miúdos são super impressionaveis e o meu afilhado ainda falou nisso durante uns tempos. Tu tentas suavizar um pouco as coisas, nem o deixamos ir ao funeral nem ver o primo ser enterrado e depois vem alguém de fora e diz isso. É de uma pessoa se passar mesmo.

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  4. Perdi um colega de turma com 16 anos, mais velho que eu uma semana. Também um acidente no qual nem ele nem o pai tiveram culpa. Foi aí que percebi que qualquer pessoa pode morrer. A mãe esteve em processo de luto durante anos, só quando teve os netos é que voltou a ganhar força (tem uma filha mais velha). Se tivesse perdido os dois filhos seria devastador.
    Como mãe de dois meninos, até quando se magoam me dói, nem quero imaginar perde-los.
    A morte é a única coisa certa neste mundo, de preferência quando estivermos velhinhos, já com a vida vivida.
    Bjs, SM

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    1. Olá SM, bom dia
      Verdade, até as dores deles sentimos quanto mais imaginar em perde-los. São dores que com certeza são insuportáveis e uma realidade que nenhuma mãe deveria viver/carregar.

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  5. olá
    Infelizmente vivi/vivo uma caso de perda tão perto que apesar de terem passado tantos ano a dor não diminui e não concordo se houver mais filhos era diferente... ninguém substitui nem deve substituir ninguém , não é comparável. Vamos aprendendo a gerir a dor, a saudade, a falta de afetos, do toque... fica a vida por viver...

    Em relação ao caso recuso-me a dar audiência, a comentar ! deviam deixar a família e restantes em paz... já é tão mau e ainda têm de lidar com comentários tristes e smp tão julgadores.
    o mal é essa falta de Empatia!! é fácil julgar seja o que for e dar palpites vazios...
    beijo

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    1. Olá,

      Lamento, este tipo de perda é a do mais cruel que podemos ter. Um abraço meu, nesta sua má recordação.

      Concordo consigo, deviam calar-se e deixar a família e amigos em paz. É uma perseguição para ter uma reação, uma fotografia, que é lamentável. Uma verdadeira vergonha.

      Beijinho

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    2. Não sou uma pessoa melhor por isto mas tento ir aprendendo smp cada vez mais , não me deixar abater por banalidades… ser mais... para quem me rodeia... fazer voluntariado junto de quem mais precisa e onde me sinto cada vez mais em paz... e dar acima de tdo o meu apoio e silencio a quem passa por perda tão grande assim... porque as palavras podem magoar... saber ouvir e estar/ser presente...
      porque quando o circo passa poucos são os que se vão manter e ter empatia... porque este dias são o melhor do pior que está para vir...
      um grande beijinho e desculpe o desabafo...

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    3. Não tem nada de pedir desculpa.
      Escreva e desabafe, daqui só levará o nosso apoio, no melhor que conseguir.
      Mas é isso que diz, viver no melhor que puder para encontrar alguma paz... mas acredito, mesmo, que fácil não será.

      E concordo muito com a sua frase "estes dias são o melhor do pior que está para vir"... a falta no tempo, custa, custa mesmo muito. É um pedaço que se perde e se imagina o que podia ter sido.

      Um abraço para si, e sinta-se compreendida

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Leituras de Agosto

Mais dois livros lidos.  Comecei um terceiro mas só virá nas leituras de setembro 📙