segunda-feira, 27 de maio de 2019

SPORTING! ūüíö

 
Sobre o meu Sporting
 
Sou menina nascida numa fam√≠lia de mesa cheia. De irm√£/os mais velhos chata/os e protetores. De m√£e trabalhadora e inquieta. Pai jogador de futebol ao domingo, na nossa rua atr√°s da casa.
 
Sou a crian√ßa do sof√° que sofre calada, caladinha at√© o jogo terminar e s√≥ no fim, s√≥, s√≥ no fim do ultimo f√īlego dado atrav√©s do apito final, volto a respirar. Nem √© de alivio, √© respirar mesmo. Parece que tudo deixa de funcionar no corpo e s√≥ ouvimos bem baixinho "aguenta cora√ß√£o".
 
Ao domingo o r√°dio passava o jogo. Era religioso. T√£o certo como o sol nascer todo o santo dia. As cole√ß√Ķes infind√°veis que fazia e guardo com zelo. N√£o, eu n√£o guardava as moedinhas do lanche para a independ√™ncia financeira, oh… N√£o! Usava-as no jornal, nos brindes e quinquilharias colecion√°veis. √Äs vezes l√° chegava de fininho ao p√© do meu pai, "olha, olha o que escreveram sobre o nosso Sporting", sempre √† espera do ralhete (de n√£o usar o dinheiro em alimenta√ß√£o, como devia), mas o meu pai soltava suavemente, "n√≥s somos os melhores."
 
Da primeira vez em est√°dio. Do amor que nasce connosco antes de perceber-mos como se escreve o nome do clube.
 
Do dia em que o meu irm√£o 2 anos e meio mais velho disse a alto e bom som que n√£o gostava de futebol porque todos corriam atr√°s de uma s√≥ bola. "Eles s√£o mais de 20 a bola √© s√≥ uma", e eu j√° perceber e olhar para o meu e ao mesmo tempo, encolhermos os ombros. Ele n√£o percebia, n√≥s sim e am√°vamos o nosso clube. E isso s√≥ me fez am√°-lo, ao meu pai, ainda mais.
 
Quando ganhávamos eramos felizes, não maltratávamos ninguém, não tentávamos diminuir os nossos adversários, pelo contrario. Eramos felizes, apenas.
Quando perdíamos, ouvíamos tudo e mais um par de botas. Mas tudo bem, nós pacientes continuávamos a nossa vida normalmente.
 
Hoje o meu irm√£o j√° percebe de futebol e at√© j√° se assumiu ferranho Benfiquista. Tudo bem.
Eu sou o amor que aprendi a ser pelo verde e branco de listas envolvidas no vento, sempre que arrancávamos da nossa baliza em direção à do adversário.
 
Hoje, j√° n√£o entro na par√≥dia do futebol, √© imposs√≠vel explicar √†s pessoas, o sentimento, a alegria, o sufoco, a tens√£o, as l√°grimas a meio do jogo sem sentido ainda. √Č imposs√≠vel. Como √© que se explica a outra pessoa que aprendemos a amor uma camisola pelas cores refletidas no olho de um pai? Como √© que se explica que a paix√£o que se tem no campo, na bancada, nas cores do clube vai al√©m de tudo o que possa ser traduzido em palavras? Como?
 
O Sporting n√£o √© clube que se misture com guerras (salvo pequenas exce√ß√Ķes), n√£o √© clube antidesportivo. Somos n√≥s, somos equipa, acreditamos no trabalho dos outros tal como vivemos o nosso.
 
No sábado levantámos a 17ª Taça de Portugal! E eu quase, quase, uma vez mais, me ia deixando morrer com um coração apertado, apertado, apertado. Vencemos, festejámos no estádio com educação.
Seguimos viagem até casa, a mais bonita das casas futebolísticas, o nosso Alvalade, e ali festejamos, em uníssono, em família, com orgulho, olhos e faces molhadas de um alivio de amor em forma de lágrimas. Não incomodámos ninguém, fomos e somos casa, apenas.
 
Voltámos a ser Sporting. Família. E casa.
 
Parabéns, SPORTING clube de PORTUGAL.

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Sentir

 O modo de sentir. Todos, e cada um temos o nosso.