segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Sobre ontem.

Ontem estava a passear pela minha rede social Facebook, quando me deparei com uma publicação de "mente empreendedora" em que me identifiquei de todo com a publicação que fizeram, e coloquei-a aqui em gênero de post. Não escrevi nada mais além do que lá estava, porque para mim já tudo estava dito.
A Cláudia e a Margarida responderam-me :) e eu agradeço o carinho e a paciência por virem passando aqui no meu espaço.

Fiquei a pensar na análise que ambas fizeram. Também concordo. É muitas vezes preciso dinheiro para dar o salto. Motivação e vontade. É verdade.
Mas não foi isso que me fez prender nestas palavras, não é na necessidade de se ser estável financeiramente para mudar, mas no "VAI SEM ACREDITAR MESMO!"

Vou contar-vos, hoje, algo muito pessoal (…) para que talvez seja mais fácil entender a publicação de ontem e outras que já coloquei por aqui.

Trabalhei um ano e meio numa empresa da qual não gostava, e comecei a não gostar ao 3º mês, o que implicaram 15 meses de angustia.
Colegas que a única preocupação era lixar o outro e uma administração que delirava e adora esse comportamento.
Trabalho desonesto.
Esforço nunca reconhecido.
Enxovalhamento e troça publica.
Cusquice entre mulheres de uma coisa inacreditável.
Castigos.

Decidi deixar a empresa 6 meses antes do dia em que sai pela ultima vez pela porta dos funcionários. 6 meses antes.
E porquê esse tempo todo?
Porque coloquei a limpo o que queria na altura, e foi tão simples quanto isto:

- Queres deixar a empresa? sim
- Podes fazê-lo agora? não
- Porquê? preciso de me manter estável e autónoma financeiramente. 

Depois meti uma frase na cabeça, depois de me obrigar a ler e pesquisar muito sobre paz social e afins:
EU NÃO VOU ACABAR A MINHA VIDA PROFISSIONAL NESTA EMPRESA. 

E foi aí que mudei. A cabeça. Sou jovem. Estava a dar em maluca no ambiente social da empresa, e obriguei-me a compreender que a decisão estava tomada, eu ia sair, demorasse o tempo que demorasse, e esse tempo era apenas o necessário para encontrar outro lugar. Esse tempo foi de 6 meses, não pensei que demorasse meio ano, mas compreendo que talvez tenha sido o tempo necessário para a mudança.
Não foram meses mais fáceis a nível de trabalho, não não foram, mas foram sim a nível psicológico, eu sabia que ia sair e aqueles que me dificultaram o caminho iam ter o seu mais difícil com a minha saída, é a vida em círculos. Não desejei mal a ninguém. Nem desejo.

Saí a uma sexta sem ninguém saber que à segunda já não iria entrar. 
Ninguém imagina o alivio que foi aquela primeira inspiração ao sair e fechar pela ultima vez a porta. Aquele som da porta a bater. O peito cheio de ar. Uma alegria desmedida. Os colegas que saiam à mesma hora a proferir coisas como "bom fim de semana", "até segunda" e afins parecidos. Ninguém imagina mesmo.

E isto tudo para dizer que a vida dá voltas, e desde o momento em que fazemos escolhas e o momento em que as aplicamos pode demorar, mas o importante é termos para nós a convicção de que, "não vamos morrer aqui", "não vamos ficar aqui para sempre (em casos de trabalho)", "que não é sempre o fim do mundo todos os dias de manhã".
O importante é estarmos em paz connosco próprias. Sabermos exatamente o que queremos, independentemente do tempo que isso demore a chegar à nossa vida. "VAI SEM ACREDITAR MESMO!". E a cada dia que passa a mudança pode estar mais perto. 
Saber ajustar as velas do barco é mais importante do que comprar o barco. 

Cheguei a não querer que a hora de dormir chegasse, porque sabia que seguidamente ia chegar a hora de levantar, vestir, comer, conduzir, entrar, sentar, aturar gente burra, fazer a mesma coisa de mil formas diferentes (porque dependia p/ que lado a administração acordasse), almoçar, regressar, aturar colegas idiotas e mais uma vez uma administração limitada em estudos aos berros, sair, conduzir, chegar a casa, lanchar, jantar, dormir… e um ciclo de 18 meses! Não foi fácil. E hoje digo com toda a convicção:

- Não aprendi rigorosamente nada a nível profissional, métodos de trabalhos, nada, zeeero! Mas aprendi muito a nível de relações humanas.

O importante é decidir ir, ir para além daquele edifício. Reformular o currículo e ir em busca. Mesmo que se tenham de esperar 6 meses! 1 ano ou 2. A sorte um dia muda, e enquanto não mudar, à que colocar um sorriso e no meio da estupides dos outros dizer em voz baixa para o nosso interior "eu vou ter melhor no meu caminho".

8 comentários:

  1. Olá!

    Obrigada pela partilha da história pessoal... tocou-me muito o facto de ter trabalhado tanto tempo em sofrimento e ter tido a coragem de sair por cima.

    Tenho uma história profissional um pouco diferente... mas também muito cruel. Estou a tentar ultrapassar tudo isto e seguir em frente!

    Um beijinho,
    Margarida

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    1. Beijinho Margarida, espero que seja o que for, consiga encontrar paz e força para seguir o seu caminho com serenidade.
      Não perca o foco e a fé (em caso de ser crente).
      A vida tarda, mas premeia os bons.
      Beijinho

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  2. Adoro, adoro, adoro!
    Estou sem palavras.
    Admito-te, nem ainda hoje com casa, apesar de mais ponderada, eu fico num local onde haja gritos, onde não me sinta bem.
    Como tens lido, estou ainda há três meses neste trabalho e já estou doida para sair.
    Nem pensei em ganhar experiência.

    O que é certo é que tens mesmo muita razão.
    A nível de ganhar experiência com as relações humanas, ganhas e muita. Lidas com tanta gente. E o melhor, é que com o passar dos anos, deixas de ligar a uma montanha de coisas.
    Mas claro, para isso precisas de ter também alguma base, algo que te faça aguentar nessa empresa.
    Eu vou tendo as duas colegas que entraram comigo. São elas a minha força neste momento.
    Mas é triste todos os dias acordarmos desmotivadas.

    A ver vamos.

    Beijocas

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    1. Ainda bem que no meio dessa desgraça toda vos têm umas às outras :) espero que consigam todas algo bem melhor e bem mais justo.
      Força, nunca desistas de procurar alternativas. E sim, tenho lido a tua história, e sei que desde os primeiros dias que te sentes mal :( compreendo a desmotivação e a falta de ânimo todos os dias quando se houve o despertador e se pensa "mais um". Mas o futuro será melhor, acredita e não tenhas medo de mudar. E claro, torco para que o próximo lugar que encontrares seja mesmo à tiatua medida. Dos teus sonhos. E do teu gosto profissional :)
      Beijinho

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  3. Parabéns pela coragem; muita gente neste país tem um medo extremo da mudança, porque "ah e tal, já tenho/tens sorte em ter emprego"... mas mudar para melhor nunca devia assustar. E se não se acertar à primeira, repete-se até se conseguir.

    (Sim, há coisas que ajudam e outras que prejudicam nisso, não estou a dizer que seja um passo óbvio para toda a gente. Mas tentar não custa, acho eu -- na pior das hipóteses ficamos na mesma, já que ninguém vai sair para ganhar menos ou ter condições piores -- assumindo que estas são especifidadas na entrevista, claro.)

    Se permites a pergunta (e não tens de responder se não quiseres, obviamente), porquê os 6 meses? A primeira coisa a vir-me à cabeça foi que esse foi o tempo necessário para arranjares algo melhor, mas o "preciso de me manter estável e autónoma financeiramente" não dá a entender isso... ou entendi mal?

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    1. Claro que permito e respondo sem problema nenhum :)
      Sim, os 6 meses foram o tempo necessário para conseguir garantias numa empresa com boas referências e diga-se, bem melhor que a em que estava. E foi apenas isso, o esperar por melhor, decorria o ano de 2016 eu ainda não tinha em mim o hábito de poupar como tenho agora... E mesmo não gostando do trabalho desenvolvido na empresa em que estava já tinha incutido em mim a minha própria autonomia, ter dinheiro para as minhas coisas e para ajudar em casa. E nunca me passaria pela cabeça ficar sem emprego e sem rendimentos. Fui aguentando. É claro que nesses 6 meses fui vendo ofertas que poderiam ser opção, mas por um ou outro motivo acabava por deixar de lado essa hipótese. Acho que tudo me levou onde estou agora (bem e feliz.

      E sim, é verdade, existe muito o medo de tentar dar o salto. Acho que é normal, mas o meu conselho é que não se perca tempo quando essa questão se equaciona. :)

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  4. Eu fiz como tu em duas das empresas onde trabalhei, na primeira era tudo muito bom até eu casar e então quando engravidei foi o descalabro, ao fim de 6 anos em que me mudaram de funções várias vezes vim de licença de maternidade e nunca mais voltei. Na segunda foi pior, a patroa berrava com toda a gente, estive lá 8 anos e meio, despedi-me no dia que quase não consegui conduzir até casa, tal era o meu estado de nervos que só chorava e tremia, mesmo assim tive que dar 2 meses à casa porque não me deixou vir embora apesar de eu ter 30 e tal dias de férias por gozar. Na última empresa já estava um pouco cansada do trabalho, pois com a redução de funcionários era um castigo estar ali 9 horas com trabalho que dava apenas para 4 ou 5, assim quando me despediram até que quase agradeci. Nestes 5 meses que estou desempregada tem sido uma desilusão, as entrevistas a que tenho ido é tudo o mesmo, querem alguém que faça tudo e a pagarem o salário mínimo. Vamos ver o que surgirá...

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    1. Possas, mas você aguentou 6 e 8 anos :S
      Deve ter sido um tormento.

      Apesar dos já 5 meses sem sucesso espero que consiga algo que a preencha profissionalmente. Ui sim, os salários deixam muito que pensar… e infelizmente não vejo por onde melhorar.

      Beijinho e boa sorte na luta :)

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