quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Como cheguei aqui

Tive alguém a perguntar-me, mesmo dentro dos meus erros e acertos, como cheguei aqui. Como cheguei ao patamar de poupar o que poupo.

Isto começou em 2017, outubro, quando criei este blog. O interesse pelas finanças pessoais, o guardar, o ter, o juntar.

Comecei a assistir muito youtube, ler artigos, ver desafios, até na altura os partilhava por aqui.

De 2018 a inicio de 2020 juntei para um carro, mais de dez mil € pagos a pronto.

Em 2018 ganhava 620€, e tinha claramente outras despensas. Quando comprei este carro já era a pensar em família e em mais segurança. 

Apesar de ter já um comportamento de poupança desde pelo menos finais de 2017, quando engravidei, a ideia de ter uma pessoa totalmente dependente de mim fez-me mudar ainda mais a minha mentalidade. Eu precisava de segurança.

E essencialmente se me perguntarem, mesmo hoje em dia, qual o motivo porque poupo, ou muitas vezes me auto desafio, a resposta é certamente: ter segurança.

Sim, o dinheiro não compra saúde, e isso é o fundamental, mas em tudo o resto oferece sem dúvida conforto e descanso.

Portanto se entre 2018 e 2020 tive a escalada do carro, de 2022 em diante tenho tido a escalada da segurança. E o que é que vos posso falar sobre esse tempo?

Muitos erros e acertos como dizia o anónimo do comentário, sim, muitos.

É preciso realmente ter calma com o processo, estão aqui 5 anos de caminho, não se fazem em dois meses de decisões.

Até ao fim de 2024 anotava tudo, tudo, tudo em agenda, adoro escrever, colorir, marcar, etc, mas tornava-se confuso às vezes perceber de onde vinha o quê. Mas ainda guardo essas agendas todas.

Desde jan/2025 que tenho tudo em excel, todo o valor de entradas e TODAS as saídas. Não desprezo contas pequenas, ou esqueço que existiram, aponto tudo. Atualizo semanalmente.

TODOS os meus extras passaram a ser AUTOMÁTICAMENTE poupança, decidi que a minha vida tinha mesmo de caber dentro do meu ordenado!, portanto, part-time + vendas + extras sejam eles quais forem são logo desviados para poupança.

Todos os meses tenho de poupar do ordenado, todos, sejam 300€ ou só 25€. Isto porquê? Eu embora poupe os extras a 100% e tenha que enfiar a minha vida dentro do ordenado, vivo com a máxima de que "devemos estar um degrau a baixo". Ter esta consciência é meio caminho andado para me ir obrigando a realmente retirar dinheiro do ordenado.

Depois acho importantíssimo delinear o que é emergência ou necessidade. Tênis, maquilhagem, uma joia, etc., nada disso é emergência, dentro do meu dinheiro poupado só cabem emergências, só, e unicamente. E neste anos todos só tive uma, a recente avaria do carro. De resto não mexo nem por nada no dinheiro que tenho poupado/parado.

Saber ceder, já vos disse que uso cosméticos de rosto de farmácia, muito por conta também das necessidades da minha pele porque tenho muitos equizemas, então torna-se caro, o que aprendi a fazer foi a comprar umas coisas num mês e outras noutro, vou tendo sempre o que preciso sem carregar as contas mensais. E isto, na minha realidade, é os cosméticos, mas pode ser adaptado a qualquer necessidade, um pouco de esforço mensal compensa face a gastar muito ou tudo num mês só.

Por fim chega a fase de procurar novas alternativas, ou seja, depois de se perceber muito bem qual a verdadeira realidade financeira, depois de se cortar o que se pode e o que até nem falta faz, chega a fase de aumentar as entradas. Gerar mais dinheiro, e isso só trabalhando mais. Um part-time, vendas, fazer algo manual que se tenha dom, aumentar qualificações (que justifiquem aumentos de salário), etc, etc. É importante ter mais de uma fonte de entrada, aliás, eu junto o que junto hoje em dia com a ajuda de todos os meus extras juntos. E é também importante ver os extras, estas entradas positivas como unicamente poupança. Eu tive anos em que desviava estes extras para comprar o enxoval e/ou meter o combustível do mês, claro que na época me ajudaram a ir comprando as coisas aos poucos e quando foi preciso compor a casa eu já tinha de tudo, e é importante também percebermos em que fase da vida estamos claro. Mas se tiverem um extra, tentem por tudo que seja poupança.

É um trabalho de anos, também muito mental, ignorar muitas vezes a tanta oferta que nos rodeia, eliminar rótulos, comparações e ideais de outras pessoas e focar no que realmente é prioritário para nós mesmos. 

Eu estou neste caminho desde 2017, não comecei ontem, não sejam injustos convosco e com as comparações. Hábitos são difíceis de criar, mas comecem, ao comoeçar lá na frente vão agradecer. 

💫

Obrigada por passarem por cá.


7 comentários:

  1. Oi

    Olha, muito interessante a parte que falas do "vejam em que fase da vida estão" e é isso mesmo.

    Cada caminho é um caminho, claro que uma pessoa mesmo ganhando mais, se não viver abaixo das possibilidades, dificilmente vai poupar. Não é só a questão de receber mais, é realmente ter consciência das despesas que se tem e viver abaixo das possibilidades. E eu isso, também gosto muito de fazer.

    E não sei quando comecei, foi bem antes disso, mas eu, no meu caso, tive o arranjar dos dentes, aparelhos, operações, implantes... Mas valeu cada cêntimo.

    Beijocas
    Cláudia - eutambemtenhoumblog

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  2. É isso mesmo, não há comparações. Nem que sejam 10 €, há que (tentar) colocar algum de lado.
    Acho que comecei aos 12 anos, com a abertura da minha primeira conta poupança. Quando andava na faculdade colocava algum de parte todos os meses e tinha de me safar com o que sobrava (na altura o dinheiro rendia mais). Fui aumentando à medida que fui ganhando mais. No entanto não aumentei as despesas na mesma proporção (a inflação faz isso por mim).
    Bjs,
    SM

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  3. Desde 2000, quando terminei o curso e comecei a trabalhar que sempre usei o Excel...desde 2022 que não atualizo todos os registos, mantenho tudo em agendas como antes, mas passar para o Excel não tem sido fácil, houve outras prioridades, mas sei ao cêntimo quanto tenho em cada conta. Mantenho tudo atualizado menos o Excel das despesas e já me fez falta tantas vezes....

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  4. Para além de toda a disciplina, tem um factor essencial face ao panorama Europeu: a baixa renda. Só nessa rubrica consegue ganhar vantagem substancial.

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    1. É a diferença entre viver em Lisboa e viver no interior do país.

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    2. A teia dos 20 mais x21 de agosto de 2026 às 18:16

      Claro que sim, tem esse factor crucial. Mas também não tenho acesso a muito dos que pagam mais renda têm em cidades e grandes centros. Sabe a quantos KMS estou de hospitais com especialidades? 80.

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  5. Enfim, este assunto dá pano para mangas. Cada pessoa tem o seu salário, e as suas prioridades. Se calhar olhas para as minhas contas e achas que esbanjo em algumas categorias, sei lá, PT no ginásio e férias, por ex. A verdade é que para mim não são essenciais, podia perfeitamente viver sem elas. Se quero abdicar para poupar uns valentes euros ao final do ano? Nesta fase da minha vida, e se continuar com os mesmos rendimentos, não. O PT foi a única forma que consegui arranjar de sair do sedentarismo após cerca de 19 anos sem mexer uma palha. Tinha 92kg quando entrei no ginásio e estava prestes a ter de começar a tomar medicação para o colesterol. Perdi 19kg em 10 meses, e nem sempre a dieta foi rigorosa. As análises vieram impecáveis 6 meses depois de ter começado e isso para mim vale cada cêntimo gasto. Isso e a saúde e energia para acompanhar os meus filhos. Ainda há dias levei os miúdos comigo ao ginásio e mesmo gravida de 6 meses elevei o meu filho de 4 anos acima da cabeça de forma instintiva e sem esforço e o meu PT disse logo: Vês? Foi para isto que vieste ao ginásio e treinas força mesmo sem gostares. E foi uma coisa tão banal que eu nem daria valor, mas sim, sem dúvida que é essa a minha motivação para continuar dia após dia. Quanto às férias, outro exemplo que poderia abdicar ou poupar dinheiro mas sinceramente depois de tantos anos sem férias, desde que a minha mãe faleceu tinha eu 8 anos até já ter a vida estabelecida e poder dispender dinheiro em férias, passaram mais de 20 anos. O máximo que tinha eram idas à praia ida e volta no mesmo dia, e havia anos que só ia uma vez. Agora posso e quero e mereço e quero muito proporcionar boas memórias aos meus filhos. Espero nunca ter de cortar em algumas destas coisas, se for necessário obviamente que o farei mas para poder ter isto corto noutras coisas, o meu carro mais novo tem 15 anos, os telemóveis é até avariarem, não esbanjo em roupas e sapatos, não aprecio comer fora, etc etc. Lá está, são prioridades. Se calhar há pessoas solteiras sem filhos nem despesas nenhumas a viver em casa dos pais de borla que não poupam 1 cêntimo. Não é o meu caso.

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