terça-feira, 13 de novembro de 2018

O Escudo Português

À algum tempo que andava para escrever sobre o escudo português… Hoje ao ler um blogue Brasileiro, eles têm blogues aos pontapés sobre dinheiro e aqui não se fala/escreve. Adiante… Tive de fazer uma conversão de real para euro, para me sintonizar na coisa e depois, mais uma vez, lá vem à memória a história do escudo português. Da nossa moeda, dos nossos contos… Eu recordo-me de ir ao pão com miseras moedas. Pão, mas pão. Nada como agora, uma saca com 5 pãezinhos a custar 1€ e tantos. 1€? Falamos de 200.48escudos.
 
Muitas das vezes, erradamente, (mas não só eu, como todos nós) penso, "1,99€ hoje até está barato, vou levar", barato… 398 escudos.
 
Foi um erro. Um erro.
Como e no que é que o euro veio ajudar?
Eu já viajei para a Polonia e tive de trocar a moeda na mesma… Ganhei claro. Mas tive o incomodo de trocar na mesma.
 
Eu sou muito patriota, e acredito que o fundamento da nossa entrada na UE seja bem mais que a entrada de circulação de uma moeda única (mau era), mas era a nossa moeda!
 
Eu recordo-me perfeitamente dos preços em alguns artigos dobrarem. de 50 escudos passaram a 100 escudos (50centimos),
 
Parece o mesmo 50 escudos transformar-se em 50 cêntimos, mas não é. Ok, está bem, a entrada da UE já faz tempo e é um erro correlacionar isso a crises posteriores… pois sim! E o poder de compra? Nós perdemos.
 
Nós fomos perdendo ao longo dos anos, seja com a troca da moeda, seja com a inflação. Estamos sempre a perder.
 
Ok. olhamos a um ordenado de 550€, em escudos temos mais de  110 000,00 escudos. Bom, a viver na era dos escudos era o máximo. E muitos foram induzidos em erro aqui. Ao fazer o diferencial de uma moeda para a outra. É que se esqueceram da análise aos consumos. Os preços dobraram! E recordo-me perfeitamente disso ser debatido na minha rua, e de ouvir de alguns dos habitantes mais velhos que isso era "estupido", pois era. Mas alguns acabaram a vida pior do que poderia ter sido possível se este "engano" fosse evitado. Esbanjaram e não tiveram suporte de quem os pudesse ajudar a perceber a moeda. Um desses vizinhos vivia em frente a mim. Sem regras e achar que tudo era bom. Que "agora estamos protegidos pelas Europas". Exacto, estamos Sr. Augusto, estamos! E repetia isso vezes sem conta durante aqueles primeiros meses. Eu miúda, sabia lá o que significavam certas conversas. Mas ouvia, presenciava. E fui crescendo com isso. Aliás, já descrevi isso mesmo, cresci a ouvir falar de dinheiro.
 
Economia;
Transações;
Exportação/Importação;
Estratégias e alianças comercias;
 
Tudo está na linha do positivo. Não nego.
 
Mas o bom português compara, compara o que tem na mão em euros e obtém o preço em escudos. Eu comparo. Tenho tios que também o fazem para tudo.
 
1€... só 1€... 200 escudos que davam para os meus avós fazerem milagres.
 
Aí estes tempos que mudam, e as adaptações que correm atras. Tenho pena no que diz respeito à generalização. Perdem-se essências.
 
10 anos depois do euro. (breve noticia)
Nem é preciso imaginar os 20 anos depois… Melhorar não me parece que vá, e já não falta assim tanto.

7 comentários:

  1. Olá,

    Tens toda a razão! A vida piorou muito porque os preços aumentaram todos e perdemos poder de compra!

    Também costumo comparar o preço de alguma coisa em escudos para me aperceber de que afinal é muito mais caro do que parece...

    Não ganhamos nada com a nova moeda. A minha geração vai ser muito penalizada. E a geração seguinte ainda mais.

    Enfim...

    Beijinhos
    Margarida
    https://minhacasadopatio.blogspot.com/

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  2. Eu já não penso muito nos escudos, mas é um facto, os preços duplicaram e os ordenados levaram a "correcta" conversão.
    Uma pouca vergonha a que poucos ligaram, tipo o teu vizinho =/

    Beijocas

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  3. Imagino que vá estar em minoria, mas eu sou 100% pró-Europa; acho que, com todos os seus defeitos, ainda é o melhor que há no mundo (ainda mais agora que os EUA estão como estão). (Até seria a favor de uns Estados Unidos da Europa, mas não antecipo isso no meu tempo de vida.) A minha posição é sempre que estamos (como seres humanos) melhor juntos do que separados (por bairrismos, fronteiras, religiões, clubes de futebol, whatever), e por isso rejeito qualquer tipo de nacionalismos, "orgulhosamente sós", etc., e sou 100% a favor de continuarmos no euro (até porque saírmos seria admitir que não somos capazes de "brincar com os meninos grandes"). Devíamos, sim, tentar "crescer" na Europa, mas acho que até temos tido sucessos nesse aspecto, e somos bem mais respeitados do que há 20 anos.

    Relativamente aos aumentos de preços (ex. 100$00 para 1€ -- duplicou), não acho que a culpa seja do euro em si, mas sim dos comerciantes, que claramente se juntaram para fazer isso (mesmo que informalmente -- ex. uns tentaram, os outros viram que resultou e foram atrás). E, talvez mais ainda, dos próprios consumidores, que não foram capazes de (ou foram demasiado preguiçosos para) fazer contas.

    Ex. se o café custava 50$00 e passou a 0.5€, as pessoas deviam pensar "o café duplicou de preço; caso isso me faça diferença, devo pensar em ajustar quantos bebo por dia, e/ou arranjar alternativas". Em vez disso, continuaram a fazer exactamente o que sempre faziam, e umas décadas depois vêm dizer que foram enganadas, e que a culpa é do euro... :)

    Espero não ter ofendido ninguém. :)

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    1. É a tua opinião, penso que ninguém fica ofendido.

      A questão não passa por 2 décadas depois virem dizer que foram ou se sentem enganados. Longe disso. Na minha casa os meus pais juntaram-me a mim e aos meus irmãos e explicaram a diferença de custo numa moeda e na outra, e claro, houveram alguns ajustes ao que gastávamos. Todos estudantes, todos com x escudos por semana, quando entrou na real o euro, perdemos poder de compra (nos típicos bolos de cantina), mas tudo bem, aprendemos a entender que o valor da moeda não era o mesmo. E não tinham o mesmo poder de compra.

      E ai concordo os comerciantes ajustaram os preços como conveniente.

      E os ordenados?

      A questão foi o suporte de informação. Muita gente não percebeu isso. Era uma moeda nova. Muitos nem se deram ao trabalho de tentar perceber a mudança, tal como o meu vizinho. E olha, que te garanto, foi uma pessoa que trabalhou a vida inteirinha e enriqueceu com isso. Depois? Depois esbanjou e pior, anos depois ainda se descobriu dinheiro seu enterrado (os filhos encontraram 5 latas enterradas) de que moeda? Do escudo português! No entanto, ele tratava o euro como tratava o escudo. Podemos perceber como acabou né?

      Não nego, o positivismo da entrada no euro, mas em países estrangeiros a chatice é a mesma. Pelo menos dos que visitei. Tirando a Itália, em que circulei com o meu euro sem problemas, Claro que aqui também importa falarmos de que país se trata e quando a sua entrada no euro e tempo de adaptação. Mas não nos alonguemos.

      Melhor em equipa que individuas, sem dúvida! Mas olhemos também ao que a restante equipa colabora com a nossa economia. Não fiquemos presos na ilusão do turismo por favor.
      O nosso país não tem tudo mau, não tem. Mas a forma como gere a necessidade absurda de lamber os pés à união é absurda.
      Temos tudo para desenvolver em mercado e o que é que andamos a fazer? Cuidado, o almoço pode ser peixe pescado na Espanha e as frutas de cultivo na França. Não desvalorizo as trocas comerciais nem as alianças que temos, mas não deveria haver mais espaço para o desenvolvimento do Português enquanto povo?

      Gostava que um dia, quem acha que temos hipóteses de andar atras dos outros e a correr como gigantes antes de olharmos para nós, visita-se aldeias do interior. Juro que gostava.

      Já sinto falta das tuas atualizações no teu blogue :D

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    2. Obrigado. :) Eu sei que ele anda meio parado; na semana passada e nesta tenho tido umas questões pessoais, que me impedem de ter cabeça para escrever (ou para ler/ouvir coisas sobre finanças pessoais, independência financeira, etc., que muitas vezes são óptimas fontes de ideias e inspiração), mas com sorte a partir da próxima semana tudo se resolve.

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  4. Eu casei no ano da mudança, sabes o que me disse o empreiteiro que fez a casa " se fosse hoje pagavas o dobro assim safas-te-te", e a verdade é que em Fevereiro de 2002 um café custava 50$00 e em Março custava 0,50€ e as pessoas achavam normal eu era das poucas excepções que não achava nada normal o ordenado ter-se mantido igual e os preços terem duplicado. Nessa altura eu ganhava 145.000$00 mensais trabalhando 8 horas por dia, o que era excelente... 16 anos depois ganhava 775€ e trabalhava 9 horas por dia com a agravante que o patrão dizia que eu tinha um excelente ordenado de cada vez que eu lhe pedia aumento...

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    Respostas
    1. Acredito, acredito piamente nesse verbalizar do empreiteiro. A construção esteve anos a trabalhar com valores incoerentes, resultou no que se viu.
      A comparação do seu caso, em 16 anos é o típico caso absurdo e que pode servir de exemplo. 16 anos e a diferença é mínima, e com uma mentalidade de quem é por direito superior (patrão) pequena, pequenina!
      Mas cá vamos andando…

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